Júlia/Moreno

Presença e ajuda de Roberto Menescal

Uma talvez Julia
Uma talvez Julia não
Uma talvez Julia não tem
Uma talvez Julia não tem nada
Uma talvez Julia não tem nada a ver
Uma talvez Julia não tem nada a ver com isso
Uma Julia

Um quiçá Moreno
Um quiçá Moreno nem
Um quiçá Moreno nem vai
Um quiçá Moreno nem vai querer
Um quiçá Moreno nem vai querer saber
Um quiçá Moreno nem vai querer saber qual era
Um Moreno



© Editora Gapa
NOTA:
“O texto não comporta muita interpretação subjetiva. Se bem que os mais afoitos possam ver na opção dos nomes Júlia/Moreno a indecisão do poeta sobre qual dos nomes daria a seu filho. Mas o texto não faz questão de explicar-se a si mesmo. Vai se montando meio nebulosamente como uma parede de palavras. Uma especie de construção, se bem que não tão bem construida e sem o sentido maior que Chico Buarque deu a sua “Construção”.

Em Caetano o texto tem uma função muito ambigua, porque a música que acompanha aquele “Júlia/Moreno” é bastante conservadora e quadrada, opondo-se de certa forma ao vanguardismo explícito (ou ironizado?) no texto.”
[Affonso Romano de Sant’Ana, Música Popular e Moderna Poesia Brasileira, 3ª Edição, 1978, pág. 259-260.]